A moda do futuro: conheça as carreiras que estarão em alta nas próximas décadas

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A tecnologia está presente, hoje, em todos os aspectos de nossas vidas. Seja no âmbito pessoal ou profissional, nós dependemos dela cotidianamente, das maneiras mais variadas possíveis. Com os avanços tecnológicos, o mercado de trabalho mudou: homens foram substituídos por máquinas e novas profissões foram sendo criadas em todos os setores. Carl Frey, doutor em economia da Universidade de Oxford e autor do estudo O futuro do emprego, estima que cerca de 47% das profissões correm risco de ser extintas e afirma, ainda, que a maior parte das carreiras que irão compor o mercado de trabalho em 2030 ainda não existem.

Em uma matéria recente, o site The Business of Fashion revelou uma lista com as carreiras da moda que estarão em ascensão nas próximas décadas, um apontamento que revela que a maior oportunidade do século está na união entre a criatividade humana e o poder das máquinas. O futuro é promissor, já que a criatividade tende a sobreviver ao avanço das máquinas. De acordo com Frey, “a moda è uma abstração humana (…) um computador pore criar variações do que faz com sucesso, mas é incapaz de lançar tendências”.  Confira a lista abaixo:

1. Cientista de dados

Reconhecido como o trabalho mais atrativo do século 21 pela Harvard Business Review, o papel do cientista de dados foi apenas cunhado em 2008 por DJ Patil e Jeff Hammerbacher, líderes de dados e análises no Linkedin e Facebook na época. Hoje, milhares de cientistas de dados trabalham tanto em startups de moda como em empresas bem estabelecidas, usando a a análise estatística de máquinas e outros métodos quantitativos para obter uma visão baseada em dados sobre o comportamento do consumidor. Hoje um varejista que consiga extrair e ler esses dados pode aumentar a sua margem de operações online em até 60%, um aumento bastante significativo no faturamento. Por isso, cada vez mais as grandes empresas estão abandonando o uso de estatísticas simples e apostando cada vez mais na inteligência artificial para prever e personalizar recomendações individuais em seus sites.

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Esse é um exemplo do uso de dados: o computador “lê” o produto que você deseja e te indica outros parecidos, com base no seu gosto. Quanto mais assertiva a análise, maiores as chances do consumidor acabar fazendo uma compra maior.

2. Psicólogo do consumidor

Ao longo dos séculos, as roupas deixaram de ser uma necessidade prática para se transformar em uma influente vitrine da nossa personalidade. Com isso, novos campos profissionais foram sendo descobertos, como é o caso da psicologia do consumo, onde os pesquisadores utilizam teorias da psicologia para decifrar o que vestimos e entender como as nossas escolhas de roupa impactam nossas emoções e interações humanas. Kate Nightingale, fundadora da Style Psycology, afirma que o seu trabalho ajuda as empresas a compreender o comportamento do consumidor para, com base nesses dados, poder criar estratégias de negócios e campanhas de marketing mais efetivas. Para ela, “se você entender como a percepção humana funciona em um nível neurocientífico e como as pessoas escolhem roupas com base em sua composição psicológica, você pode criar uma estratégia incrivelmente eficaz, em última análise, melhorar a experiência geral do cliente e a relação dele com a sua marca”.

Para quem quer construir carreira, a indicação é que, além da faculdade de psicologia, explore-se também outras ciências do comportamento, tais como neurociência, antropologia e sociologia, investindo em um currículo mais amplo para construir uma base científica que ajude a desvendar os mistérios da mente humana.

3. Expert em sustentabilidade

Muitas empresas de moda estão priorizando a sustentabilidade e colocando-a  no coração de suas organizações. A ideia é repensar o modo como os produtos são desenvolvidos,  contratando consultores de sustentabilidade cuja função é garantir que a empresa está fazendo tudo o que pode para integrar fontes  sustentáveis e práticas amigáveis ao meio ambiente. O trabalho do expert em sustentabilidade consiste em buscar novas maneiras de incorporar mais materiais recicláveis aos produtos, repensar a cadeia de produtiva e criar projetos inovadores, que diminuam o impacto da indústria no planeta.

No conglomerado de luxo Kering, que possui as marcas Gucci, Alexander McQueen, Stella McCartney, Saint Laurent e Balenciaga, quem comanda o Departamento de Sustentabilidade é a francesa Marie-Claire Daveu. Para ela, o ponto chave para trabalhar a sustentabilidade dentro do mercado de luxo é introduzir o tópico dentro da estratégia de negócios de cada empresa, de maneira que ela tenha tanta importância dentro do negócio quanto as demais ações que o estruturam. Com o auxílio da expert, no começo de 2016 a Kering havia reduzido 11% das emissões de carbono e 19% do uso de água, além de contar com energia renovável em 24,5% dos seus processos e oferecer bolsas de estudo para alunos de moda que se comprometerem a desenvolver coleções de formatura com tecnologias sustentáveis.

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4. Engenheiro de Impressão 3D

Para os design de moda, um dos aspectos mais desafiadores do negócio é o processo de fabricação. A adoção da impressão 3D, entretanto, faria a fabricação mais rápida, mais fácil e mais barata, facilitando a entrada no mercado para designers emergentes em todo o globo.  Hoje, até mesmo grandes grifes como Chanel e Iris Van Herpen estão experimentando o 3D para imprimir detalhes que, de outra forma, seriam impossíveis de fabricar.

A impressão 3D desempenhará um papel muito importante na moda, já que transforma o processo de fabricação convencional. Em vez de começar com algum tecido e recortar partes dele para criar a forma desejada, a impressora começa do zero e só adiciona material ao longo do processo de produção; sendo esse um dos maiores atrativos para os fabricantes, pois eles podem reduzir exponencialmente a quantidade de resíduos, gerando uma maior economia. Para ser bem sucedido na área, é preciso se especializar no setor tecnológico e  saber unir engenharia com criatividade.

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5. Pesquisa e desenvolvimento têxtil

Os materiais estão no cerne da indústria da moda. Ao longo dos últimos anos, vários grandes fabricantes de vestuário como Nike e Lululemon estiverem desenvolvendo novas tecnologias a geração de materiais que melhoram o estilo, desempenho e também a sustentabilidade de seus produtos.

Embora os tecidos inteligentes e os wearables (tecnologia vestível) ainda sejam uma realidade recente, este é um mercado em rápido crescimento, com novas capacidades que irão desempenhar um papel mais significativo na moda, especialmente devido ao surgimento do setor “athleisure”, o que levou a um maior interesse em tecidos esportivos de alto desempenho . Para trabalhar na área, é necessário ter formação ou especialização em engenharia têxtil.

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Escrito por

Uma jornalista de moda que adora mergulhar na profundidade das coisas e que abomina superficialidades. Principalmente quando dizem que a moda é superficial! Ama um bom cashmere, um acessório marcante e um sapato confortável, sem nunca abrir mão da arte e do design.

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