A moda no divã com André Carvalhal

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Ele é autor de um livro com título intrigante e atraente – A Moda Imita a Vida. É um diretor de marketing inovador, no posto de uma das marcas de moda de maior sucesso do Brasil, a Farm. Um jovem carioca que ainda arranja tempo para dar aulas, workshops e conferências para universitários e empresários de todo o Brasil, trocando experiências, revelando sucessos e fracassos . Eu precisava conhecer André Carvalhal.

Meu primeiro contato com ele foi num workshop de moda realizado pelo Sebrae SC. Na minha frente, nada que aparentasse um executivo clássico e convencional. Vestindo camiseta, bermuda desgastada, tênis e boné em tons de preto, André já intrigava pelo visual. Desencanado da moda e do vaivém das tendências quando o assunto é o próprio guarda-roupas, o publicitário que foi conquistando novos territórios com suas idéias, foi revelando o porquê do seu sucesso profissional. Adepto do pensamento de que estamos vivendo a era do “ser” e deixando para traz a era do “ter”, André é do tipo que medita, que pensa fora da caixa, que coordena suas equipes com uma flexibilidade incomum de horários além das paredes do escritório e que busca metas e faturamentos num diálogo mais verdadeiro e direto com o consumidor. Confira mais nesse bate-papo que tive com ele.

Samira- Resumidamente, em uma frase, porque a moda imita a vida?

André – Eu acho que isso tem a ver com o fato de que a moda se transforma de acordo com as transformações da vida das pessoas hoje. Ela é um reflexo do que acontece no mundo, e aí, eu acho importante a gente pensar sempre, que não só as roupas se transformam pelas mudanças da vida das pessoas, mas os modelos de negócios e a comunicação de marketing também evoluem conforme a vida evolui, conforme os comportamentos, a sociedade e a cultura evolui.

S – Você diz que o marketing como vem sendo praticado acabou, por quê?

A – Eu acho que hoje todo mundo aprendeu como se faz marketing, as pessoas entendem mais de marketing e cada vez mais querem aprender e saber o que está por traz das marcas. Isso faz com que cada vez mais a gente tenha dificuldade em criar imagens, conteúdos e campanhas. Tudo já foi muito banalizado pela produção de conteúdo pessoal. Hoje as pessoas aprenderam a fakear, a tratar imagens, então elas não acreditam mais porquê elas sabem que são capazes de fazer aquilo.

S – Qual é a ferramenta de marketing que está mais em alta hoje? A – Em volume e qualidade eu acho que é o instagram e o que é mais novo, e que não tem ainda um público tão grande, é o snapchat. Esses dois representam uma fuga do facebook. Uma fuga da propaganda, uma fuga da presença das marcas e um jeito diferente de se relacionar, uma vontade de se relacionar de uma maneira mais instantânea, mais efêmera.

S – O facebook está caminhando pro fim?

A- Do jeito que a gente conhece hoje sim. Mas, eu acho que ele tem chance de se reinventar, de se atualizar e criar outras ferramentas e outros caminhos pra que continue sendo relevante.

S – Na tua vida hoje qual a importância do Facebook?

A – Pra mim ele tem uma importância muito grande na conexão com outras pessoas. Ele me dá acesso às pessoas de uma forma muito rápida e prática. Eu tenho muito pouca vontade de compartilhar conteúdo ali e também de ver o que é postado pelas pessoas, porque eu acho que banalizou muito. A qualidade caiu.

S – Você diz nas suas palestras que faz análise desde criança. Qual a importância disso na tua vida pessoal e profissional?

A – Eu acho que o autoconhecimento na verdade determina tudo. É o que determina o sucesso, tanto das pessoas quanto das marcas. É importante saber quais são as suas forças, quais são os seus valores e as suas potencialidades. É o que determina relações, projetos e trabalho com qualidade. Quanto mais você sabe quem você é por dentro, mais consciente você se torna sobre os impactos que o mundo oferece, do que chega até você. E eu acredito que isso vale tanto para as pessoas quanto para as marcas.

S – Então você acha que muitas marcas de moda estão precisando mesmo é de um psicanalista?

A – Super! Risos. Eu acho que as marcas precisam de psicanalistas, precisam se entender, olhar mais por dentro. Acho também que os diretores criativos e os responsáveis pelo marketing, pela criação, poderiam ter esse papel de terapeutas à frente das marcas.

 

Escrito por

Uma jornalista de moda que adora mergulhar na profundidade das coisas e que abomina superficialidades. Principalmente quando dizem que a moda é superficial! Ama um bom cashmere, um acessório marcante e um sapato confortável, sem nunca abrir mão da arte e do design.

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