Art in Island: o Museu da Selfie

Monalisa

Câmeras fotográficas, celulares, tablets ou qualquer plataforma móvel cheia de funções não é visto com bons olhos em museus e galerias pelo mundo, principalmente, se junto com eles vier também a tão famosa haste de selfie. Pronto! É a combinação perfeita para olhares tortos e comentários não muito bem humorados. Mas, como a melhor estratégia está na máxima “se você não pode com eles, junte-se a eles”, um museu das Filipinas resolveu fazer diferente, ao invés de banir o narcisismo digital de seus metros quadrados, investiu nele. O Art in Island, em Maila, foi projetado para que o público interaja com as obras expostas, são mais de 200 peças em 3D, que permitem que os visitantes não só fotografem como também toquem, ou entrem nas obras.

Denominado “o primeiro museu da selfie”, o local está fazendo sucesso entre o público jovem. Dar um toque final na  Monalisa? Passear pela Noite Estrelada de Van Gogh? Tentar pegar o sapatinho de uma das moças de Fragonard? Lá tudo é possível e a regra é tão ter regras. O Art in Island promete democratizar a arte, seja para as crianças mais novas e normalmente mais impacientes em museus e galerias, ou para os amigos do Facebook, que acabam tendo acesso a tudo que está exposto com apenas alguns clicks – e muitos likes.

Mesmo moderna e cheia de personalidade, a invenção preocupa alguns críticos, que temem que isso possa criar barreiras entre galerias e museus reais e o público. Fazendo com que cada vez menos jovens da era digital visitem espaços de arte. Sobreviver em um mundo alimentado pela tecnologia já não é tarefa fácil para esses locais, as distrações são muitas e a força de vontade de deixar o celular de lado por algumas horas está cada vez menor na nova geração.

Polêmico ou não, o Art in Island está acumulando posts em redes sociais e filas na entrada, deixando uma mensagem bem clara: arte é para todos, até para pessoas com haste de selfie.

 

por PRISCILA ANDRADE

 

Escrito por

Uma jornalista de moda que adora mergulhar na profundidade das coisas e que abomina superficialidades. Principalmente quando dizem que a moda é superficial! Ama um bom cashmere, um acessório marcante e um sapato confortável, sem nunca abrir mão da arte e do design.