Chapéu Panamá –  A história do famoso sombrero de origem equatoriana

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Criado a partir da palha toquilla minuciosamente trançada à mão, o chapéu Panamá é um clássico que resiste ao tempo. Símbolo de elegância e bom gosto, este acessório possui uma história tão charmosa quanto o seu próprio formato tradicional, que em 2012 lhe rendeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Apesar do nome, o chapéu nasceu, de fato, no Equador, terra onde cresce a palha toquilla. A a confusão com os países se deu devido a um grande mal entendido: durante a construção do canal do Panamá, trabalhadores franceses e norte-americanos se protegiam do sol usando o sombrero dos moradores locais, que já tinham adotado os chapéus equatorianos.

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Samira Campos em Cuenca e Cartagena – Chapéu de palha é tradição local.

Quando o Canal foi inaugurado,em 1914, o então presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, foi presenteado o acessório tradicional no dia da abertura dos trabalhos. Imediatamente, chamou-o de chapéu Panamá, termo imortalizado por jornalistas a partir da legenda das fotos de divulgação da obra. A influência do presidente aliada ao uso do chapéu pelo ator Humphrey Bogart no filme “Casablanca” ajudaram a disseminar a tendência pelo mundo. Homens poderosos, como o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, o aviador Santos Dumont e o presidente Getúlio Vargas não viviam sem o acessório, que hoje em dia faz a cabeça de homens e mulheres.

chapéu panamáRoosevelt (esq) e cena do filme Casablanca – Imortalizando o clássico

Em Cuenca, a equipe do Site Estilo conheceu de perto o Museo del Sombrero de Paja Toquilla para conhecer melhor o processo de confecção dos chapeus Panamá. Juan Fernando Paredes gerencia o museu e também comanda a marca Rafael Paredes S. e Hijos. Ele foi o nosso guia, demonstrando todo o passo a passo da confecção dos tradicionais acessórios com exclusividade para a gente. Confira todo o passeio na matéria de Samira Campos para o site Parismania.

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A produção dos sombreros é tão tradicional que em Cuenca acompanhamos também um desfile na rua, onde conhecemos Wilson Guevara, designer de chapéus e responsável pelas exportações da marca Pamar Chapéus e Paola Beatríz Lujano, da Artesanías “Joselo”. Eles contaram um pouco mais sobre a história desse acessório clássico e nos mostraram os últimos lançamentos em chapéus Panamá.

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Wilson Guevara, designer de chapéus e responsável pelas exportações da marca Pamar

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A marca Pamar Chapéus já está presente no Brasil. Os modelos com a aba desfiada são tendências fortes no verão europeu.

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Samira e Paola, da marca Artesanias Joselo

 

Como é feito o chapéu Panamá

Os panamás genuínos são feitos completamente à mão, com finas fibras de palha toquilla branca trançada. Essa fibra é retirada da Carludovica Palmata, uma espécie de palmeira nativa do Equador. O trabalho exige muito cuidado e atenção: um único chapéu pode levar até 8 meses para ser concluído, dependendo da espessura da palha e da habilidade do artesão. Quanto mais fino for o material, mais maleável e durável será o resultado. São necessárias muitas pessoas envolvidas na produção, desde o preparo da fibra. A cidade andina de Cuenca é uma das mais tradicionais produtoras do acessório que, dependendo da qualidade da fibra, pode chegar ao valor de U$ 3 mil.

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Detalhes de um chapéu Panamá sendo confeccionado.

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Imagens da fábrica Pamar Chapéus 

 

O processo de confecção de um Chapéu Panamá genuíno é inteiramente manual. O site Viagens & Rotas fez um roteiro especial pela costa Equatoriana, visitando o povoado de Barcelona para conferir de perto a colheita dessa fibra tão especial . A palha toquilla é colhida e seca pelos habitantes de pequenos povoados. Após a secagem, uma pessoa pega um broto da planta e começa a desfiar em camadas. A planta  desfiada é posta em um tacho e cozida em água limpa por 40 minutos e depois passa para a secagem, feita à sombra por pelo menos 24 horas. Toda a palha toquilla resultante desse processo é enviada para Cuenca, na região serrana do Equador. Cada 100 tiras de palha rendem, no máximo, 4 chapéus, o que explica a minuciosidade da técnica e o elevado preço do acessório.

 

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O processo de produção da palha toquilla é inteiramente manual. Crédito: Ana Elisa Teixeira 

O Panamá original ou “El Fino”, como é chamado no Equador, é feito artesanalmente nas cidades de Cuenca e Montecristi. Sua coloração é clara graças a palha feita com a folha da Carludovica Palmara, que apresenta textura macia e flexível, ideal para dias mais quentes.

 

Por: Francieli Hess

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