Ronaldo Fraga diz que precisamos nos apropriar da nossa vocação para criar

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Ele é um dos grandes nomes da moda brasileira e foi citado por Li Edelkkoort, renomada profeta de estilo, como um dos nomes da moda brasileira com identidade local, capaz de fazer carreira internacional. Com a arte de fazer poesia com as palavras e as mãos, Ronaldo já teceu muitas histórias nas passarelas brasileiras. Das poesias de Carlos Drummond de Andrade à música de Nara Leão, o estilista sempre fez uma moda sem compromisso com as tendências mundiais buscando o autêntico e o original. Já fez trabalhos com cooperativas, comunidades, e associações de artesãos e confeccionistas dos cantos mais remotos do país, sempre buscando valorizar as histórias e o artesanato de cada região, promovendo a criatividade e o design brasileiro. Recentemente o estilista mineiro foi convidado pelo SEBRAE/SC para realizar um trabalho junto ao Pólo calçadista de São João Batista. Do trabalho de oito meses com micro e pequenas empresas da região, surgiram calçados multicoloridos com as cores dos barcos açorianos, as rendas de bilro das rendeiras da ilha de SC, peças inspiradas nos ovos ucranianos da região de Pomerode e histórias regionais como o fato de termos tido uma das mais belas misses do Brasil, Vera Fischer.

Confira alguns dos pontos fortes da palestra e frases de Ronaldo que fazem pensar:

“Precisamos enfrentar o desafio que é a culturação do design. Trazer o design para as nossas vidas sem que isso seja associado ao que não vende”

“O conceito é a alma de qualquer negócio. Não adianta querermos copiar. Os chineses tem uma eficiência que nós não temos e por isso nós precisamos nos apropriar da nossa vocação para a criação e o design”

“Eu queria, com o Pólo de calçados de São João Batista, fazer algo como o pão de queijo. Que o produto deixasse muito claro onde ele foi feito”

“Muda de lugar, muda de problema. Vamos falar de Santa Catarina. O micro e pequeno empresário aqui, ele é o estilista, ele é o modelista, ele é o contador, o que paga as contas, que pesquisa, que viaja. Faz tudo ao mesmo tempo e é raríssimo uma empresa que tem um estilista. Uma pena! Aí ele viaja, copia e quando o sapato está pronto, o mesmo sapato  também já está na Zara e em outras lojas. Nessa coisa de “tendêncinha” tudo é consumido muito rápido. Aí eles brigam por preço e terminam fatalmente na liquidação”

“Tem uma questão que se repete no Brasil como um todo. Que é a tal da educação e cultura. Pra você entender a força de um design, pra você investir nisso, você tem que ter uma formação e nós estamos começando agora”

“Hoje, por uma questão de sobrevivência, você vai ter que perseguir o genuíno. O mundo inteiro está passando por esse processo. Por exemplo, tem uma empresa no Canadá que está levando minhas roupas, que diz que o que está movimentando a moda no Canadá é um produto que não venha do fast fashion. As pessoas querem pagar mais caro, mas não querem chegar num lugar e encontrar a mesma coisa que os outros estão usando”

 

Escrito por

Uma jornalista de moda que adora mergulhar na profundidade das coisas e que abomina superficialidades. Principalmente quando dizem que a moda é superficial! Ama um bom cashmere, um acessório marcante e um sapato confortável, sem nunca abrir mão da arte e do design.

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