Heliana Lages: o luxo dos acessórios feitos em crochê de metal

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Com uma agulha de crochê já é difícil dar a primeira laçada com fios de linha e lã. Imagine com fios de metal? “Se você erra não tem volta”, diz a mineira Heliana Lages. O metal marca e o trabalho é perdido.  Mas, Heliana desenvolveu e patentou a técnica, que hoje deixa qualquer um em estado de encantamento. São brincos, colares e pulseiras tramados em crochê com fios de metal em tons de prata, bronze, ouro amarelo e rosê. Heliana chegou a fazer uma coleção de peças em ouro para a marca Anima Jóias, de Belo Horizonte. Com o aperfeiçoamento, foi introduzindo miçangas e até pequenas pérolas. O trabalha delicado surpreende ainda mais pela leveza. Maxi brincos que estão em alta pesam quase como uma pena, e as orelhas femininas agradecem.

A história de Heliana começou há 12 anos e ela nunca teve intimidade com o crochê. Foi com o propósito de ajudar um grupo de paraplégicos e trabalhar com montagem de bijuterias que a empresária e psicóloga conheceu  Dona Geni. Um senhora de idade, doméstica, que queria aprender a fazer bijuterias e era mestre no crochê. “Dona Geni, que já faleceu, ficou paraplégica em função de uma anestesia e estava muito deprimida. Foi ela que deu vida à minha imaginação”, diz Heliana. A partir de fios de cobre usados em eletricidade, juntas e com a ajuda de outro funcionário paraplégico chamado Pedro, craque em montagem de bijus, Heliana foi desenvolvendo dezenas de novos pontos e misturas no crochê. “Até hoje nosso trabalho é muito uma tentativa que vai se aperfeiçoando”, confessa.

A dificuldade em conseguir mão de obra fez com que Heliana ampliasse o projeto social e partisse em busca de funcionários que tivessem interesse na arte do crochê. Um colar grande, por exemplo, passa pelas fases de tecelagem, montagem, banho e pode levar até uma semana para ficar pronto. Hoje, 20 pessoas trabalham fixo em sua e ela está sempre procurando treinar novos artesãos. Essa dificuldade, de executar crochê com fios de metal, torna os acessórios ainda mais disputados. “Nós resolvemos patentear algumas partes do trabalho e descobrimos o registro de apenas uma pessoa na Alemanha, em 1954, que conseguiu fazer algo parecido”, revela. Suas criações já foram exportadas para a Colombia, Estados Unidos e Portugal, mas em pequena escala. “Chegamos a ficar totalmente comprometidos com a exportação e não conseguimos atender direito”, complementa. Com uma produção pequena, que inclui encomenda para noivas, Heliana transforma seus colares, brincos e pulseiras em objetos ainda mais desejados. O encantamento é imediato. Resultado da graça de uma inovação feita com o bom e velho crochê.

 

Escrito por

Uma jornalista de moda que adora mergulhar na profundidade das coisas e que abomina superficialidades. Principalmente quando dizem que a moda é superficial! Ama um bom cashmere, um acessório marcante e um sapato confortável, sem nunca abrir mão da arte e do design.