L’Afrikana, a marca de moda social de minha filha Renatha Flores

Renatha Flores

Ela sempre foi diferente. Na faculdade, fez estágio como professora de artes em creches, lares de recuperação de dependentes de drogas, e em diversas comunidades por Florianópolis. Dirigiu um espetáculo teatral que contava uma história africana, viajou o Brasil com ela. Nos últimos anos, as paredes do seu quarto foram corbertas com fotos de tribos africanas, e a paixão ficou clara. Renatha viajou para o Quênia para trabalhar como arte-educadora voluntária, e acabou até trabalhando com a UNESCO. Fez muitos amigos, entre eles Jacob Kininga, Majaliwa e Simbi Salongo que tinham sorrisos contagiantes e muita força interior, dizia Renatha. E mais, sabiam costurar e precisavam ajuda. Ela, por coincidencia estava se formando na faculdade, e em busca de um projeto que lhe desse um novo propósito de vida.

Como eu acredito que a vida é a arte dos encontros,  penso que foi a partir daí que Renatha teve a idéia de criar a marca L’Afrikana. Uma escola de costura, para capacitar e nutrir a criatividade deles. Um atelier de costura que pudesse dar trabalho para esses refugiados em situação de extrema pobreza.

Falar de filho não é uma tarefa fácil, estou sentindo na pele. Mais difícil é não fazer um texto meloso e chato de mãe coruja. Na verdade, coruja eu nunca fui. Sempre criei a “Tata” com independência, longe da barra da saia. Eu queria que ela fosse uma mulher forte e determinada a ser feliz. Apesar de nunca ter declarado abertamente, tenho certeza de que ela não queria ser “a filha de pais televisivos”, afinal ser filha de uma jornalista de moda (Samira Campos) e um comentarista esportivo (Carlos Eduardo Lino) deve ter tido desvantagens. Aos 24 anos, Renatha passou a assinar Flores, sobrenome que veio da avó paterna. Entre idas e vindas para a Africa, ela foi transformando a L’Afrikana em uma marca de moda, uma ONG, um centro comunitário, uma escola de costura e um negócio social que tem o orgulho de ser reconhecida pela ACNOUR (as Nações Unidas para os refugiados), pelo Danish Refugee Council, o Refugee Point e o Jesuit Refugee Service.

Vestidos, saias, bolsas, cangas de praia, almofadas e muitos objetos de decoração.  Lindos e originais. Agora deixa eu ser coruja!
O atelier L’Afrikana passou a receber novas doações de máquinas de costura e novos integrantes, refugiados vindos de países em guerra como Burundi, Ruanda e Congo. Todos os produtos procuram valorizar suas raízes e suas histórias de vida. Com estampas coloridas e alegres, tecidos naturais de algodão pintados à mão em técnicas tradicionais de estamparia provenientes de vários países africanos, a L’Afrikana abre em Florianópolis uma loja temporária no Delfino Café&Conexões onde as pessoas poderão adquirir suas peças, conhecer e apoiar o projeto.

 

Escrito por

Uma jornalista de moda que adora mergulhar na profundidade das coisas e que abomina superficialidades. Principalmente quando dizem que a moda é superficial! Ama um bom cashmere, um acessório marcante e um sapato confortável, sem nunca abrir mão da arte e do design.

DEIXE UM COMENTÁRIO