Novo consumismo coloca o mundo da moda em alerta

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Em um estudo divulgado no Reino Unido, pesquisadores concluíram que as novas gerações estão preferindo investir em viagens e novas experiências, ao invés de acumular bens. Essa mudança comportamental levou a uma queda de 4,4% no lucro dos principais varejistas do Reino Unido, em cinco dos últimos seis meses do ano de 2016. A França e os Estados Unidos também experimentam essa desaceleração nas vendas, mostrando que a tendência é global. Entre os fatores que influenciam as novas escolhas de consumo estão a imprevisibilidade do clima, que faz com que as pessoas esperem mais tempo para comprar roupas de verão ou inverno e também o fato de que os clientes estão mais conscientes com seus gastos, esperando as liquidações para não pagar o preço cheio das peças.

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No desfile da Chanel Inverno 2014/15, Karl Lagerfeld fez paródia com o hiper consumismo

 

Em paralelo com essa desaceleração nas vendas, surge o chamado Novo Consumismo, termo cunhado pela empresa de pesquisas Euromonitor para descrever um movimento que preza pelo consumo consciente e despreza o consumismo impulsivo. Nesse novo modelo, os consumidores dão preferência a marcas éticas e transparentes, além de valorizarem mais a experiência de marca do que o produto em si. Outro ponto interessante é a alta no mercado dos brechós: só no Brasil, o setor cresceu cerca de 210% entre 2008 e 2012, chegando a um número estimado de mais de 11 mil brechós em todo o país. Tanto em lojas online quanto nas lojas fixas, os brechós surgiram como uma alternativa interessante para a geração Millenial, já que além de reduzir os impactos ambientais eles ainda permitem que o consumidor garimpe peças exclusivas e originais, diferentes da produção em massa que abarrota as vitrines de fast fashion ao redor do mundo. O site Modefica, uma plataforma de moda que une conteúdo, negócios e educação, separou uma lista com 7 brechós online incríveis para quem quer se aventurar no garimpo vintage.

Com tantas mudanças de comportamento inspiradas pelas novas gerações, não param de surgir alternativas para quem quer repensar o ciclo do consumo de moda. Em São Paulo, por exemplo, foi inaugurada a House of Bubbles, um closet compartilhado que funciona pelo sistema de assinaturas e ja é conhecida como a Netflix das roupas.

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Acervo da House of Bubbles

Para ter acesso às peças, você precisa escolher entre uma mensalidade de 100, 200 ou 300 reais, que permite que o assinante retire um, três ou seis itens de cada vez. A assinatura não limita o número de vezes que você pode retirar alguma peça, porém ao escolher o seu plano você define o número de roupas que serão retiradas em simultâneo. O aluguel vale por até dez dias e ao final do período o assinante poderá renovar o prazo ou devolver a peça ao acervo. O acervo passa pela curadoria de estilo de Daniela Ribeiro e Nathalia Roberto, e conta com peças de grandes marcas como Animale, Cris Barros, Le Lis Blanc, Osklen e Reinaldo Lourenço, além das internacionais Christian Dior, Comptoir des Cotonniers e Zadig & Voltaire.

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A House of Bubbles funciona na House of All, um espaço inteiramente dedicado à economia colaborativa, fundado pelo jovem Wolf Menke. No local funcionam a House of Work (um coworking tradicional), House of Learning (espaço para cursos e palestras), House of Food (uma cozinha industrial para chefs independentes) e ainda uma lavanderia, que conta com serviço de bar. Todos os espaços são compartilhados e podem ser alugados mensalmente ou por diárias.

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Fachada da House Of All

Se antigamente ostentar pilhas de roupas e closets abarrotados era visto como sinal de status, hoje em dia o jogo virou. Ao que tudo aponta, o consumismo desenfreado e impulsivo está com os seus dias contados. E se depender das novas gerações, a economia colaborativa chegou para ficar.

 

Por: Francieli Hess

Escrito por

Uma jornalista de moda que adora mergulhar na profundidade das coisas e que abomina superficialidades. Principalmente quando dizem que a moda é superficial! Ama um bom cashmere, um acessório marcante e um sapato confortável, sem nunca abrir mão da arte e do design.

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