Patchwork: a tendência com perfume setentinha está de volta

PATCHWORK

O revival da estética dos anos 70 está trazendo de volta uma técnica artesanal muito característica. Estamos falando do patchwork, que teve seu boom na contracultura hippie mas tem origem ainda mais antiga. O efeito final carrega consigo a união de cores, estampas e texturas diferentes, englobadas em uma única peça através da costura de retalhos. Quando feito de maneira manual, uma peça jamais fica igual a outra. Essa exclusividade chamou a atenção de estilistas como Maria Grazia Chiuri, que ajudaram a transformar o patchwork em uma das principais tendências do momento.

Patchwork nas passarelas

PATCHWORK LOEWE

Para o Verão 2018/2019, o patchwork deixa de ser reservado à decoração e ganha um perfume luxuoso nas mãos dos principais estilistas do mundo. A técnica traz ares de boemia e extravagância para as peças, que combinam cores, estampas e texturas contrastantes.

Maria Grazia Chiuri, da Dior, apostou forte no patchwork para a coleção Inverno 2018 da grife. Com muita memória afetiva, os retalhos vieram de reproduções do arquivo da própria grife. As peças ganham um twist romântico combinadas com camisas delicadas e leves.

1_0005_patchwork dior Dior Fall 2018

Aqui no Brasil, João Pimenta trouxe a tendência de forma bem tradicional, enquanto a Amapô explorou a união dos retalhos de jeans com lavagens diferentes, criando um visual bem jovem e extravagante.

1_0006_patchwork brasil

João Pimenta e Amapô SPFW N45 – O jeans em patchwork é uma das grandes apostas da vez!

Em algumas coleções, a aparência é simplista e acolhedora, com um design que lembra um conforto nostálgico. Em outras, a variedade de cores e padrões transforma os looks em verdadeiras obras de arte. Além dos tradicionais retalhos recortados e costurados, alguns designers estão interpretando a tendência de uma maneira mais contemporânea. A impressão digital é grande aliada na hora de criar prints que misturam formas, cores e desenhos diferentes, criando uma estampa corrida que remete à técnica tradicional.

1_0004_patchwork missoni e etro

Missoni e Etro – Fall 2018

1_0003_patchwork tory burch

Tory Burch – Patchwork de estampas aliado à mistura de tecidos com texturas diferentes para um efeito leve e romântico.

A história do patchwork
32188442_388003318348528_4482491890335219712_n

Casacos da marca House of Wandering Silk

 Muito antes de ser resgatado pelo movimento hippie dos anos 70, o patchwork já fazia história. Sua origem é incerta: as primeiras evidências da técnica remontam a 3400 A.C. Até mesmo em algumas tumbas do Antigo Egito é possível encontrar registros do seu uso pelos faraós, em roupas feitas com sobras de tecidos e vestidas sob armaduras.

A técnica foi disseminada pela Europa na Idade Média e cruzou oceanos até chegar na América do Norte, entre os séculos XVIII e XIX. Ali, transformou-se em arte nas mãos das mulheres que uniam retalhos, dividiam histórias e formavam estreitos laços de amizade junto ao trabalho manual. Em meados do século XIX, a invenção da máquina de costura agilizou o trabalho, fazendo com que as artesãs tivessem tempo disponível para criar mais.

copy-of-quilts-005

Artesanato tradicional

Esse trabalho acabou caindo no esquecimento junto com a entrada das mulheres no mercado de trabalho. Naquele momento, elas não possuíam mais tanto tempo livre para as artes manuais.

Somente na década de 1970 a técnica artesanal ganhou atenção no mundo da moda. Resgatado pelos hippies, o patchwork virou destaque em um movimento de contra-cultura que era nadava contra a industrialização. Com possibilidade de personalização infinita, o patchwork figurou entre os principais looks dos jovens rebeldes da época.

Fehmarn_70_13A

O cantor Jimmy Hendrix, ícone do final da década de 60, usando jaqueta de couro com patchwork.

Em 2018, o artesanal volta a ganhar status de luxo. Nesse cenário, o patchwork se transforma em um item de desejo, dominando as semanas de moda tanto no exterior quanto em solo brasileiro.

Escrito por

DEIXE UM COMENTÁRIO